sexta-feira, 31 de julho de 2020

Dizem que é Mágica e Afrodisíaca

Poção Mágica Afrodisíaca



Ingredientes:










Preparo:

Bater no liquidificador os ingredientes, tomar imediatamente.

Sugestão: Na minha receita coloquei um copo de gelo, 1 colher de sopa de gengibre ralado, 4 colheres de sopa de leite condensado, uma dose de conhaque. Essa é apenas uma sugestão, mas a medida é como mais te apetecer.


Amavisse


Como se te perdesse, assim te quero.

Como se não te visse (favas douradas

Sob um amarelo) assim te apreendo brusco

Inamovível, e te respiro inteiro



Um arco-íris de ar em águas profundas.



Como se tudo o mais me permitisses,

A mim me fotografo nuns portões de ferro

Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima

No dissoluto de toda despedida.



Como se te perdesse nos trens, nas estações

Ou contornando um círculo de águas

Removente ave, assim te somo a mim:

De redes e de anseios inundada.

(II)



* * *

Descansa.

O Homem já se fez

O escuro cego raivoso animal

Que pretendias.

(Via Vazia - VIII)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mousse de Chocolate Rápida

Rapidinho mais gostos? Temos, vai lá...

Ingredientes:


1 lata de Moça Fiesta Brigadeiro
1 lata de creme de leite

Modo de preparo:
Bata os ingredientes no liquidificador e leve ao congelador.

Dica:
1.Que tal cerejas ao marasquino picadas em tudo isso ?
2.Se preferir cremosa; leve a mousse à geladeira.

Docinho rapidinho para amar sem pressa o poema da Sophia, mais um, delicioso...

Poema


A minha vida é o mar o Abril a rua

O meu interior é uma atenção voltada para fora

O meu viver escuta

A frase que de coisa em coisa silabada

Grava no espaço e no tempo a sua escrita



Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro

Sabendo que o real o mostrará



Não tenho explicações

Olho e confronto

E por método é nu meu pensamento



A terra o sol o vento o mar

São a minha biografia e são meu rosto



Por isso não me peçam cartão de identidade

Pois nenhum outro senão o mundo tenho

Não me peçam opiniões nem entrevistas

Não me perguntem datas nem moradas

De tudo quanto vejo me acrescento



E a hora da minha morte aflora lentamente

Cada dia preparada



Sophia de Mello Breyner Andresen





Pudin Tentação de Chocolate

Continuando a linha adocicada, culpa do COB, ou melhor, inspiração, aqui vai um pudim especial.

Ingredientes:


1 lata de creme de leite sem soro

2 xícaras (de chá) de leite

2 colheres (de sopa) de café solúvel

300 gramas de chocolate meio amargo picado

1 envelope de gelatina em pó sem sabor

Modo de preparo:

Em uma panela coloque o chocolate, o café e o leite. Leve ao fogo até derreter totalmente o chocolate. Deixe esfriar. Misture a gelatina, hidratada e dissolvida de acordo com as instruções da embalagem, e o creme de leite sem soro.

Coloque em uma fôrma untada com um pouco de óleo e leve à geladeira até firmar.
Desenforme na hora de servir.
Dicas : o rendimento é de 8 porções, decore com calda de leite condensado misturado


E como a escritura tece a vida, permanece a linha Sophia, que espera, como eu, o regresso teu.

ESPERO


Espero sempre por ti o dia inteiro,

Quando na praia sobe, de cinza e oiro,

O nevoeiro

E há em todas as coisas o agoiro

De uma fantástica vinda.

(Sophia de Mello Breyner)




Brigadeirão


Então, depois de umas férias de amor na Europa o que  melhor posso postar a não ser algo bem gostoso, de chocolate e de escritura, acho que vai bem essa sobremesa!
Ingredientes







• 2 latas de leite condensado

• 1 vidro de leite de coco

• 4 ovos

• 1 xícara de chocolate em pó

• 1 colher (de sopa) de manteiga sem sal

Modo de preparo

Unte uma fôrma com margarina e polvilhe-a com chocolate em pó. Bata todos os ingredientes no liquidificador. Coloque na fôrma já preparada e cozinhe em banho-maria, em fôrma de pudim por aproximjadamente 40 minutos.

Desenforme, cubra com chocolate granulado e leve para gelar.

Dica: Sirva bem gelado.

E para não deixar a escritura por menos...

Um dia

Um dia, gastos, voltaremos

A viver livres como os animais

E mesmo tão cansados floriremos

Irmãos vivos do mar e dos pinhais.



O vento levará os mil cansaços

Dos gestos agitados irreais

E há-de voltar aos nosso membros lassos

A leve rapidez dos animais.



Só então poderemos caminhar

Através do mistério que se embala

No verde dos pinhais na voz do mar

E em nós germinará a sua fala.



Sophia de Mello Breyner (poeta portuguesa)




Salada Sumer





Bom, muito tempo sem postar, muito, mas cá estou.


Dedicando-me um pouco mais à Literatura, esvaí-me um pouco da culinária. Atualmente residência nova, novos ares, espero que buenos ares, uma nova perspectiva também, e para (re)começar, uma boa e velha saladinha para tempos cearenses: sol, verão, luz, calor....


Ingredientes para 4 pessoas:

1/4 de cebola roxa
1 cenoura ralada
1/2 abacate
6 colheres de sopa de croutons
6 bolas de muzarela bébé
6 folhas grandes de alface
6 tomatinhos cereja
1/2 pimentão verde picado
1/2 pimentão vermelho picado
1/2 cebola pequena
4 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de vinagre
sal e pimenta como preferir.

Preparo:

Lave bem todos os legumes. Disponha as folhas de alface lavadas e escorridas numa saladeira larga e junte depois a cenoura ralada, os tomatinhos cortados ao meio, o abacate em cubinhos, a couve roxa cortada fininha, a cebola cortada em meia-lua, os pimentões em tirinhas finas e, finalize com os croutons e com os queijinhos cortados ao meio. Faça o molho juntando azeite e o vinagre, um pouco de sal e pimenta. Misture bem e regue a salada mesmo antes de servi-la.


Bom apetite!


Amavisse
Hilda Hilst

Como se te perdesse, assim te quero.

Como se não te visse (favas douradas

Sob um amarelo) assim te apreendo brusco

Inamovível, e te respiro inteiro



Um arco-íris de ar em águas profundas.



Como se tudo o mais me permitisses,

A mim me fotografo nuns portões de ferro

Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima

No dissoluto de toda despedida.



Como se te perdesse nos trens, nas estações

Ou contornando um círculo de águas

Removente ave, assim te somo a mim:

De redes e de anseios inundada.

(II)



* * *

Descansa.

O Homem já se fez

O escuro cego raivoso animal

Que pretendias.

(Via Vazia - VIII)


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Salada de Feijão de Corda


Hoje estou inspirada, procurando minhas receitas de saladinha, encontrei essa que é pra dias em que o estômago pede sustança, como dizia minha finada vó.


Para começar cozinhe um pedaço de coxão mole (limpo, limpo, limpo) na pressão, não sem antes temperá-lo com sal e pimenta moídos e selá-lo no azeite. Depois, é só acrescentar um tantinho de água e umas folhas de louro e cozinhar até que ele esteja macio a ponto de ser desfiado com as mãos.

Cozinhe também o feijão de corda - rapidamente, porque ele tem que estar firme - escorra, deixe esfriar e depois tempere com cebola picada, shoyu, pimenta dedo de moça, vinagre de arroz, azeite e chimichurri. Juntei a carne desfiada, cenoura ralada, muita salsinha e cheiro verde e foi!

Eu usei o coxão mole pois era o que eu tinha disponível, mas fica perfeito com fraldinha ou também com lagarto. O feijão de corda também pode ser substituído por lentilha, grão de bico, fava, feijão branco. Os grãos são amigos das saladas, vai por mim, moçada!

E para degustar nossa salada de feijão, que tal essa meta-poesia:

João Cabral de Melo Neto (Catar Feijão)

1.


Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

Salada de Lagarto - Bom para o Verão!


Então, uma boa sugestão de salada para esse verão, vamos nessa:

Usei 500 gramas de lagarto, coloque-o na panela de pressão com um tempero básico - cebola, alho, sal, folhas de louro e pimenta branca (não precisa de óleo) - e vai cozinhar por um bom tempo (30 min.) até que fique cozido sem desmanchar completamente (toda carne que cozinha demais perde muito da sua consistência e fica meio pastosa, eu não gosto).

Depois de cozida e de fria, basta desfiá-la bem desfiadinha e acrescentar o tempero que você quiser como se estivesse temperando uma salada.

Eu uso cebola cortada em meia-lua fininha, pimenta calabresa, salsa, cebolinha, azeite extra virgem (sempre e em tudo), vinagre branco  e azeitonas verdes picadinhas (sem caroço, of course), mas a mistura pode vir da sua cabeça ou do que você tiver na sua geladeira: salsão vai bem, tomate cereja, cenoura, pimentão, folhas, vale inventar!

Aliás, sempre vale inventar porque cozinhar é isso mesmo. É descobrir misturas interessantes, sabores que se completam, se combinam, criar, inventar e reinventar.

E se tem gente contra salada de lagarto, então dedico  aos do contra um poeminha muito do bonito leSgal:

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana