quarta-feira, 28 de julho de 2010

Salada de Feijão de Corda


Hoje estou inspirada, procurando minhas receitas de saladinha, encontrei essa que é pra dias em que o estômago pede sustança, como dizia minha finada vó.


Para começar cozinhe um pedaço de coxão mole (limpo, limpo, limpo) na pressão, não sem antes temperá-lo com sal e pimenta moídos e selá-lo no azeite. Depois, é só acrescentar um tantinho de água e umas folhas de louro e cozinhar até que ele esteja macio a ponto de ser desfiado com as mãos.

Cozinhe também o feijão de corda - rapidamente, porque ele tem que estar firme - escorra, deixe esfriar e depois tempere com cebola picada, shoyu, pimenta dedo de moça, vinagre de arroz, azeite e chimichurri. Juntei a carne desfiada, cenoura ralada, muita salsinha e cheiro verde e foi!

Eu usei o coxão mole pois era o que eu tinha disponível, mas fica perfeito com fraldinha ou também com lagarto. O feijão de corda também pode ser substituído por lentilha, grão de bico, fava, feijão branco. Os grãos são amigos das saladas, vai por mim, moçada!

E para degustar nossa salada de feijão, que tal essa meta-poesia:

João Cabral de Melo Neto (Catar Feijão)

1.


Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

Salada de Lagarto - Bom para o Verão!


Então, uma boa sugestão de salada para esse verão, vamos nessa:

Usei 500 gramas de lagarto, coloque-o na panela de pressão com um tempero básico - cebola, alho, sal, folhas de louro e pimenta branca (não precisa de óleo) - e vai cozinhar por um bom tempo (30 min.) até que fique cozido sem desmanchar completamente (toda carne que cozinha demais perde muito da sua consistência e fica meio pastosa, eu não gosto).

Depois de cozida e de fria, basta desfiá-la bem desfiadinha e acrescentar o tempero que você quiser como se estivesse temperando uma salada.

Eu uso cebola cortada em meia-lua fininha, pimenta calabresa, salsa, cebolinha, azeite extra virgem (sempre e em tudo), vinagre branco  e azeitonas verdes picadinhas (sem caroço, of course), mas a mistura pode vir da sua cabeça ou do que você tiver na sua geladeira: salsão vai bem, tomate cereja, cenoura, pimentão, folhas, vale inventar!

Aliás, sempre vale inventar porque cozinhar é isso mesmo. É descobrir misturas interessantes, sabores que se completam, se combinam, criar, inventar e reinventar.

E se tem gente contra salada de lagarto, então dedico  aos do contra um poeminha muito do bonito leSgal:

POEMINHO DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana

Salada três folhas!


Meu primeiro post.
E agora, como fazer?
Bem, fazendo
Escolha três tipos de folhas das que mais aprecia
(como gosto muito de alface, escolhi três tipos dela: roxa, americana e crespa)
Tomate seco à vontade
Pedacinhos que queijo brie o suficiente.

Lavar muito bem as folhas, rasgá-las em grossos pedaços, arrumá-las numa travessa, espalhar o tomate seco, depois por cima, o queijo brie.

Sugiro um molho feito à base de mostarda e um pouco de mel. Misture tudo e regue sua saladinha, simples, fácil e muito gostosa.

Para acompanhar também sugiro um filé à medalhão frito e um bom vinho tinto encorpado!


Falando em simples, fácil e muito gostosa, tem um poeminha da Adélia Prado que se chama:

CONFEITO


"Quero comer bolo de noiva,
puro açúcar, puro amor carnal
disfarçado de corações e sininhos:
um branco, outro cor-de-rosa,
um branco, outro cor-de-rosa."

Vale muito saboreá-los!